“Me acorde quando setembro acabar.”
Há seis anos atrás, de um total de quatro aviões, dois foram atirados contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Impossível ligar a televisão após às 9 horas da manhã daquele 11 de setembro, em qualquer canal, sem ver as imagens do atentado. Foram semanas de plantões mostrando a retirada dos destroços, a contagem dos mortos e algumas imagens inéditas. A comoção dos familiares, o prefeito Rudolph Giuliani num discurso emocionado, mostrando todo o seu patriotismo. O sentimento de que o eterno orgulho americano, apesar de ser ferido por um momento, daria a volta por cima. As torres foram destruídas por completo e o total de vítimas chegou a 3234. Heróis. Todos foram heróis. Os bombeiros, os passageiros, os trabalhadores, todos os que morreram e todos os que ficaram. Tudo o que vinha da TV americana era assim. Somos heróis. “Olhem pra nós. Agora temos um forte motivo para comiseração”.
Em seguida, ocupação do Iraque. Guerra. Jovens, sob o efeito da lavagem cerebral de que só o exército é capaz (me refiro aqui à todo e qualquer exército) que acreditam estar defendendo o seu país, vão para um território ainda não conhecido. Matam e morrem. A “américa” (como eles gostam de se auto-denominar) não quer que o mundo veja seus filhos mortos em guerra. A mesma “américa” que nos bombardeou (sem trocadilhos aqui) com infinitas imagens de seus filhos sendo mortos, quando os aviões transformaram-se em gigantescas bolas de fogo ao colidirem nos prédios. Contradição no ar. Armas químicas inexistentes para justificar a ocupação. Saddam Hussein capturado e morto. Vídeos de celular. Infinitas história de famílias americanas que perdem seus filhos e de filhas Iraquianas estupradas por soldados norte-americanos diante de seus pais.
Mesmo agora, seis anos depois, o 11 de setembro é uma ferida aberta. A terra do Tio Sam ainda vive aquele dia. Ou aquele mês, como Billy Joe, do Green Day, que vai pedir eternamente para que alguém o acorde quando setembro acabar.

World Trade Center (ou o que sobrou dele)

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